Guia técnico
Eletroválvulas na máquina de café expresso: 2 vias, 3 vias, sintomas de avaria e bobina
Uma eletroválvula de 2 vias abre ou corta uma passagem de água, por exemplo no enchimento da caldeira. A de 3 vias, montada no grupo, deixa passar a água durante a extração e, ao desligar, descarrega a pressão do porta-filtro para o esgoto. As avarias mais comuns são sujidade ou calcário no interior e bobina queimada.
Qual é a diferença entre uma eletroválvula de 2 vias e uma de 3 vias?
A de 2 vias tem uma entrada e uma saída; a de 3 vias tem ainda uma terceira ligação, a descarga. Nas máquinas de café expresso, ambas são, em regra, normalmente fechadas (NC) e de ação direta: sem corrente, o êmbolo tapa o orifício; com a bobina alimentada, o campo magnético desloca o êmbolo e a passagem abre.
Na de 3 vias, o êmbolo leva dois vedantes. Em repouso fecha a entrada e deixa a saída ligada à descarga; com corrente, abre a entrada e fecha a descarga. É por isso que, no fim de cada café, a pressão que ficou sobre o café moído sai para o tabuleiro de escoamento e o porta-filtro se retira sem salpicos.
| Característica | 2 vias (2/2 NC) | 3 vias (3/2 NC) |
|---|---|---|
| Ligações | Entrada e saída | Entrada, saída e descarga |
| Sem corrente | Passagem fechada | Entrada fechada; saída ligada à descarga |
| Com corrente | Passagem aberta | Entrada aberta para a saída; descarga fechada |
| Função habitual | Enchimento automático da caldeira, entrada de água, água quente | Comando da água do grupo |
Que sintomas indicam uma eletroválvula avariada?
Depende do sítio onde a válvula trabalha; os manuais técnicos apontam sobretudo estes sinais:
- O grupo não debita água com a bomba a trabalhar: eletroválvula do grupo sem alimentação, com a bobina queimada, suja ou entupida.
- Borras encharcadas ou porta-filtro que salpica ao abrir: descarga da eletroválvula do grupo entupida.
- Grupo a pingar em repouso: sujidade na sede ou vedante gasto que não deixa a válvula fechar.
- A caldeira não enche: eletroválvula de enchimento avariada ou com o filtro de entrada entupido.
- Água a mais na caldeira: eletroválvula de enchimento que não veda, ou sonda de nível coberta de calcário.
Antes de condenar a válvula, exclua as outras causas listadas nos mesmos manuais: gicleur ou chuveiro entupidos, moagem demasiado fina, falta de água na rede. As peças envolvidas estão em Grupo de Extração e Sensores e Instrumentos.
Como verificar se a bobina está queimada?
Com a máquina desligada da corrente e a ficha da bobina retirada, mede-se a resistência entre os dois terminais da bobina com um multímetro: circuito aberto, sem continuidade, significa enrolamento interrompido e a bobina tem de ser substituída. O valor certo depende da tensão e da potência de cada bobina, por isso não existe um número universal; compare com uma bobina igual em bom estado ou com os dados do fabricante.
Os guias dos fabricantes de eletroválvulas atribuem a bobina queimada a quatro causas: tensão ou frequência erradas, humidade que provoca curto-circuito, êmbolo preso por sujidade ou tubo guia danificado, e temperatura excessiva. Daí duas regras práticas: nunca retirar a bobina do corpo com tensão aplicada e, se a bobina nova voltar a queimar, limpar ou substituir também o corpo da válvula.
Posso trocar só a bobina ou tenho de substituir a válvula completa?
Se o corpo veda bem e o êmbolo se move livremente, basta trocar a bobina por outra com a mesma tensão, o mesmo tipo de corrente (AC ou DC), a mesma frequência e potência e o mesmo encaixe. Se a válvula pinga, não fecha ou está incrustada, substitui-se o corpo ou a válvula completa.
Bobinas de aspeto igual existem em 24 V AC, 24 V DC, 110–120 V e 220–240 V, e em várias potências (8, 9 ou 12 W, por exemplo): leia sempre a etiqueta da bobina antiga. Há também corpos fornecidos sem bobina, que permitem reaproveitar a existente se estiver em bom estado e for compatível com o corpo novo (mesmo fabricante e série).
Para escolher a válvula, registe:
- número de vias (2 ou 3) e estado em repouso (NC);
- fixação: de base (flange) ou em linha, com ligações roscadas (1/8″, por exemplo);
- diâmetro do orifício (DN), em milímetros;
- material do vedante (rubi, Viton®/FKM) e pressão máxima de serviço;
- tensão da bobina.
A pressão conta: numa válvula de 3 vias de ação direta, a pressão da água ajuda a abrir, e acima do limite de projeto a válvula pode deixar passar mesmo sem corrente; no circuito do grupo, a pressão pode chegar a cerca de 12 bar. Ao montar, substitua os O-rings da base. Veja Válvulas e Bombas e Vedantes e O-rings.
Como evitar que as eletroválvulas avariem?
Mantendo a água tratada e o grupo limpo. A sujidade é a causa mais frequente de falha numa eletroválvula e, numa máquina de café, essa sujidade é calcário e resíduos de café.
- Faça a retrolavagem do grupo com o cesto cego e detergente próprio, com a frequência indicada no manual: o ciclo faz trabalhar a eletroválvula do grupo e lava a sua descarga.
- Mantenha o descalcificador regenerado e o filtro de entrada de água limpo.
- Inclua as eletroválvulas na revisão anual: os manuais técnicos pedem a verificação das eletroválvulas dos grupos pelo menos uma vez por ano.
Perguntas frequentes
- A eletroválvula do grupo é igual em todas as máquinas?
- Não. Muda a fixação (de base ou em linha), o diâmetro do orifício, o vedante, a pressão máxima e a tensão da bobina. Compare sempre com a peça antiga e com o modelo da máquina antes de pedir.
- Uma bobina de 24 V serve numa máquina ligada a 230 V?
- Só se o circuito de comando dessa máquina alimentar as eletroválvulas a 24 V. A tensão e o tipo de corrente estão na etiqueta da bobina antiga; uma bobina AC e uma DC não são intermutáveis, e uma tensão errada queima a bobina.
- A retrolavagem resolve uma eletroválvula que pinga?
- Só quando a causa são resíduos de café na descarga ou na sede. Não remove calcário nem recupera um vedante gasto; nesses casos, a válvula é limpa por um técnico ou substituída.
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